Resultado mostra empresa empenhada com controle de custo

São Paulo, 26/02/2019 – Os resultados da BR Distribuidora no quarto trimestre de 2018 reverberam um ano com vários desafios para a companhia, mas mostrou também que seus executivos estão empenhados no controle de custos e otimização das operações, afirmou o analista chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko.

“No meu ponto de vista, os números vieram bem em linha com o esperado, se forem desconsiderados os recebíveis da Eletrobras, que deram um incremento no lucro da empresa”, disse o especialista, que emendou. “Você tem uma queda do Ebitda, mas a empresa vem medindo esforços e trabalhando muito no controle de custos. Isso a gente vê como ponto positivo. Não é uma empresa em que o custo não acompanha o operacional”, defendeu.

A BR Distribuidora apresentou lucro líquido no quarto trimestre de 2018 de R$ 1,605 bilhão, crescimento de 202,3% na comparação com os R$ 531 milhões reportados em igual período de 2017. No ano, o lucro líquido foi de R$ 3,193 bilhões, alta de 177,4%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa no trimestre foi de R$ 646 milhões, queda de 26,8% na comparação com os R$ 883 milhões em igual trimestre de 2017.

Rafael Panonko disse que, no geral, as projeções para a empresa em 2018 eram fracas, tendo em vista os desafios decorrente da greve dos caminhoneiros e da lentidão da recuperação econômica. Tais barreiras ficaram evidentes no menor volume de vendas. O analista destacou, entretanto, que o recuo nas vendas foi reflexo de menores compras por parte de seus clientes, não de um menor market share. A empresa apresentou no trimestre um volume total de vendas de R$ 10,412 milhões de metros cúbicos, queda de 5,6% na comparação com igual período de 2017 e recuo de 5% frente ao trimestre imediatamente anterior.

Projeção
Panonko disse que, passadas as adversidades de 2018, a estimativa é de mercado favorável para a companhia em 2019. “Olhando para o momento atual da economia, a gente vê um drive de crescimento para o Brasil. Isso é refletido diretamente nesses negócios da BR Distribuidora. Combustível acaba sendo o principal consumo quando a gente fala de desenvolvimento econômico”, ponderou.

O especialista destacou que, ao ser comparada com seus concorrentes no setor, a BR tem se valorizado mais no mercado. Tal avanço se deve também, e não exclusivamente, às perspectivas de privatização da empresa. “Existe, sim, a expectativa de privatização. Isso faz o ativo ter um fluxo mais comprador. Quando a gente compara no curto espaço de tempo, ela valorizou mais. Mas eu conto na balança também o fato de a gente ter um crescimento econômico projeto para 2019 e isso é benéfico. Não colocaria apenas a privatização”, disse.

Panonko destacou também como positivo a redução no endividamento da companhia, que decorreu da entrada do capital da Eletrobras. “Se For mantido (o nível de endividamento) é bom, mas oferece espaço para aumento de endividamento em termos de aquisição ou investimentos”, disse. A expectativa que surge no mercado agora, segundo ele, é de um desembolso mais volumoso no guidance da empresa. Nos resultados, a empresa não divulgou guidance. Segundo os executivos, em teleconferência, as projeções serão apresentada durante assembleia. (Cristian Favaro – cristian.favaro@estadao.com)

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